segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não Profundo - Uma História de Polpa

1 Não Profundo
1.1 (Nem Tão Profundo)

2. Uísque sem gelo, por favor!




Pode me chamar de Tony Wiliam, Richard Bennedict ou de Marco Santos, tanto faz. Eu não ligo para o nome, e durante essa estória não usarei meu nome, portanto, sinta-se a vontade para me batizar. Fato é que na manhã do dia em que tudo aconteceu, os pássaros cantavam alegremente, as abelhas enfiavam mel nas suas bundas, crianças celebravam a juventude e eu acordava de ressaca e desejava que tudo isso fosse para o inferno. Levantei e a dor de cabeça me surpreendeu: não existia. Bebi duas garrafas de gim ontem a noite e nada de dor de cabeça pela manhã! Pensei que este seria um bom dia, acreditei que estava de bom humor e sai, nem ao menos me importei com minha imagem no espelho. Desci dois jogos de escada e cheguei à rua. Maldito sol ofuscando minha visão, Lorena passou e eu mal pude secar seu lindo corpo! O dia começava a mostrar sua cara. Chequei meus bolsos, encontrei mais do que esperava.. a sorte estava mudando. Mas grande coisa o que a sorte orquestrava para mim, pensei. Tomei um café bem forte do outro lado da rua e comi alguns pedaços de uma torta de maçã muito velha no balcão. Deu 4 e 50 no total. Senti raiva. Sempre tinha raiva quando gastava meu dinheiro antes do meio dia. Ainda restava grana para a gasolina e também para o almoço, mas talvez eu o substituísse por algum trago. Precisava agora era arranjar um carro. Pela parte da manhã era mais fácil ainda descolar um carro, haviam vários mal estacionados ou em lugares pouco movimentados e para mim não havia dificuldade alguma. Olhei um Mercedes dando sopa perto da esquina, mas logo lembrei do alto esquema de segurança que estes carros possuem. Precisava de algo rápido. Um Opala seria perfeito. E lá estava ele me esperando. Na frente de um banco, esperei alguns minutos e o otário saiu da porta do banco, provavelmente com os bolsos cheios de grana, entrou no carro e acelerou. Menos um. Mas não precisei andar muito para ver outro, melhor ainda. Em poucos minutos eu já acelerava para bem longe dali. Rodei até a casa do Edie como de costume, só para saber o que iria rolar naquele dia. Ele não estava, só sua mulher. Resolvi entrar. Mariane de calcinha sentada na sala vendo tv. Tive a primeira ereção da semana. Me convidou para entrar, beleza, agora era comigo e não precisou de muito. Ah, realmente era meu dia de sorte. Logo ela foi abrindo uma cerveja e me alcançando. Eu babava olhando para suas pernas! Perguntei que horas Edie iria voltar, ela disse que só a tarde. Falei, “Ok meu bem, temos bastante tempo!”. Por alguns instantes ela segurou, mas depois abriu as pernas para mim. Ela gemia e gritava como uma cadela, pedia mais e eu estava ficando meio cansado já... não sei se pela minha sorte ou azar ela parou, do nada! “O que foi?”, “Acho que é o filho da puta do Edie!”. Mal terminou de falar aquele gordo abre a porta e me pega enfiado dentro da sua mulher. Se ele não estivesse com tanta raiva seria engraçado ver seu rosto. Apanhei como nunca havia apanhado, pelo menos não me lembrava. A sorte era que ele estava desarmado. A sorte novamente do meu lado? Não, ele me cravou uma faca na barriga. Só eu sei quanto doeu. Entrei no carro sangrando depois de deixar ele desmaiado e fui ao Free Bar...
- Uísque sem gelo, por favor!


3. Duas garrafas de vodca



Tomei num gole só e emendei outro. O terceiro eu tomei com calma, e o quarto e o quinto também. Senti a dor diminuir, fui até o banheiro e lavei, tirei o sangue. Estava tudo bem, parou de sangrar. Voltei a mesa e havia alguém sentado ao lado.

- É o quinto já, porque tanta sede?
- Se você tivesse um buraco na barriga como este – e levantei a camisa – entenderia..
- Imagino...
- Inteligente de sua parte...
- Me indicaram você para fazer um trabalho para mim..
- Como assim? Quem mandou você vir falar comigo?
- Florez, disse que você topa qualquer empreitada.
- Bom, desde que pague adiantado!
- O dinheiro não é problema.. a propósito, quer outro uísque?
- Ah, já que esta interessado.. pode ser com gelo agora.

Estendeu o braço para o garçom que logo entendeu e 1 minuto e 50 depois, estavam três pedras de gelo boiando no meu Jack Daniel’s. Sempre me partia o peito fazer isso, mas como era o desgraçado que estava pagando, decidi estragar o uísque.. só para ele não se vangloriar muito.

- Você não me falou que tipo de serviço vai querer – perguntei antes de tomar um gole, realmente o uísque estava ruim. Beleza, agora ele não era tudo isso mais.
- É simples, só você apagar um cara. Metade agora, metade depois do serviço feito.
Eu já havia roubado velhotas, obesos, crianças, dado uma surra em devedores, surrupiado varais, invadido casas, roubado carros, lojas, flagrado mulheres traindo seus maridos, vendido drogas, contrabandeado eletrônicos, falsificado passaportes, uísques e roupas, por dinheiro, mas matar... não, matar nunca. Pois bem, há sempre uma primeira vez.
- Hmm.. e de quanto é essa primeira metade?
- 5 mil senhor!
- ME DIGA, ONDE ENCONTRO ESSE CARA?!?!
Negócio fechado! Agora eu precisava encontrar um tal, Leandro num cassino da cidade. Seria moleza. Só ainda pensava a respeito da arma... uma .45 ou um 32? Talvez até uma faca. Bom, eu tinha uma semana para matar o cara.
Quando sai do bar e fui procurar meu carro havia o maior aparato de policiais na volta, na certa o dono deu queixa e encontraram o carro todo cheio de sangue ali na esquina. Azar, eu ia caminhando pra casa...
...
Droga, começou a me doer esse buraco, preciso de um carro. Maldita mania essa minha, tenho 5 mil no bolso!
- Táxi!
Assim esta melhor...
Cheguei em casa, lavei e fiz um curativo. A dor estava voltando... Achei meu analgésico favorito no armário, duas garrafas de vodca....

4. Gim tônica e um café expresso para viagem



Acordar tarde e com dor de cabeça não é um bom começo para quem tem, agora, seis dias para bolar um plano, encontrar e matar um cara, mas é o que eu faço. Coloquei a minha melhor roupa e sai. A facada que o Edie me deu ainda doía, mas estava bem melhor. Sobrou meia garrafa de vodca ainda, coloquei no meu cantil e a guardei no bolso do meu paletó velho e amassado. Saltei para fora de casa. Precisava de um carro.
Estava pilotando agora um Maverick preto, peça rara. 110 km/h marcava o velocímetro, mas eu sabia que essa belezinha ainda podia alcançar muito mais. Desci o pé no acelerador, 125, 130, quando cheguei em 150 km/h tive que reduzir, dobrar a esquerda e estacionar. Cassino Golden Paradise. Provavelmente Leandro não estaria lá, mas seria interessante observar o local.
Logo na entrada vi Lorena tomando um drink no bar. Sentei do lado e pedi um martini, a bebida veio com uma azeitona presa por um palito de dente. Ridículo. Comi a azeitona e espalitei os dentes. Bebi o drink em um só gole. Lorena sorriu. Depois foi embora...
O cassino era atraente, muitas mesas, mulheres, apostadores, velhos, ricos, vestidos, decotes, bundas, educação, uísque, martini, gim, vodca, água tonica, ouro, prata... e eu ali, parado. Um assassino esperando sua vitima. Seria suspeito um homem de aproximadamente 40 anos, mal vestido, ar de embriagado, fumando cigarro e observando o ambiente? Acredito que sim, então me dirigi a uma mesa e fiz uma aposta. Perdi. Lá se foram 200 mangos. Azar é do goleiro pensei, apostei novamente, perdi 180 e larguei fora. Tomei vodca com limão no bar, observei Lorena de longe. Era minha chance. Ela se esgueirava pelos homens. Não vinha na minha direção, mas fui até ela. Pouco antes de eu a alcançar, um velho a abraçou. Quanto será que ele estava pagando? Não interessa, eu pagaria mais!
Fui embora antes de arranjar confusão. A noite chegou, me embriaguei num bar e voltei ao cassino. Bêbado eu não poderia matar ninguém. Então pela primeira vez pensei: Como eu saberia quem era Leandro? Lorena! Lorena poderia me ajudar. Procurei ela.
Lá estava, ao lado de outro velho homem. Me aproximei, ela notou.
- Lorena, quanto tempo! Será que tem tempo para um drink ali no bar?
- Você vai espalitar os dentes com o enfeite do martini?
- Esqueça... eu lhe pago um!

Ela falou algo no ouvido do vovô, e ele deu um sorriso.
Agora eu tinha Lorena. Aquele corpo. Aquela bunda! Mas eu precisaria pagar uns quantos drinks para ela ir para cama comigo. Bom, isso não era problema.
- Você viu Leandro por ai esta noite?
- Você diz aquele velho que estava comigo?
- Oh... sim. Err.. estava apenas mexendo contigo, me diz, o que ele faz? Quer dizer, porque tu acha que alguém o gostaria de ver morto?
- Um juiz viciado em cassino e mulheres jovens? Ora, muita gente... porque a pergunta?
- Você sabe... a gente sempre escuta a conversa do quarto do lado.
- Um grande apostador como ele deve ter vários inimigos... mas não me importo com isso.
- Realmente... Até mais!
“Filho da puta, 10 mil para apagar um tipo desse? Eu deveria cobrar muito mais!”, pensei dentro do maverick e acelerei até o Free Bar.
Lá estava o poderoso chefão.

- Escuta, mudamos os planos. Te entrego essa noite a cabeça do seu velhote... e você me dá 20 mil. Pegar ou largar.
- Desculpa, mas nós já fechamos um trato.
- Pouco me importa. Você sabe quanta gente quer o pescoço desse cara... você sabe a importância que ele tem, e que não é bem assim para apagar ele. Quero 20 mil, e pode ser agora.
- Isso não tem a menor importância. Escuta aqui... você vai fazer o trabalho para mim, senão quem vai dançar vai ser você, esta ouvindo? O prazo mudou também, tem até amanhã a noite... neste horário! Eu lhe dou os 5 mil e nunca mais vejo seu rosto, você o mesmo.
- Me dê 10 mil amanhã e encerramos o assunto.
- 10 mil, nada mais...
- Quer dizer, me pague outro uísque... sem gelo, por favor.
Fiquei tomando um verdadeiro Jack enquanto ele deu as costas e se mandou. Bom, arranquei mais 5 mil do poderoso chefão, não há o que reclamar.
O plano seria o seguinte, provavelmente ele vai sair esta noite com a Lorena. Vão para um motel, vai ser moleza. Tudo que eu preciso é estar preparado, estar lá na hora certa. Pego ele saindo do cassino, acerto ele e me mando embora. Lorena... bom, não me importo em apagar ela também. Ou será que me importo? Maldito tesão... bom, posso poupar ela.
Edie entrava enquanto eu terminava com o meu uísque. Nem vi quando ele me agarrou por trás e me jogou no chão. Um monte de socos vieram tocar meu rosto e eu só me senti mais aliviado quando acertei suas bolas com um chute. Ele se retorcia no chão novamente, já havia visto essa cena antes. Foi fácil, acertei sua cabeça com uma garrafa. Ele continuou vivo, mas apagou por uns instantes. Logo logo estaria atrás de mim de novo, eu só tinha que segurar até amanhã. De noite dava o fora desse inferno, ia viver uma vida nova longe daqui... a sorte tirana!
Terminada a confusão, retomei os pensamentos e decidi que era hora de agir. Para fechar um ultimo pedido;
- Gim tônica e um café expresso para viagem.

5. Uísque, com certeza!




Estacionei próximo ao Golden Paradise, e de dentro do meu possante observava o movimento. Toda hora saiam homens e mulheres, tanto sós quanto acompanhados, mas nunca os meus garotos. Tomava um café para me manter ligado, o cigarro quase queimava meus dedos. Uma ultima tragada e o joguei pela janela do carro. Admiti para mim mesmo que estava nervoso. Mas isso precisava ser feito, com nervosismo ou não. 01:35 da madrugada. 2:00 horas. Nada acontecia. Não podia entrar, eles iriam me ver novamente. Seria suspeito. Mas estava pouco me lixando para isso.
Assim que abri a porta para descer, lá estavam eles. Vinham um ao lado do outro, Lorena levemente errando os passos, levemente embriagada, ou talvez só fingindo e o porco ao lado, fumando um charuto. Seu ultimo charuto. Acelerei devagar... eles andavam rumo a esquina. Seria perfeito! Estava na hora. Pisei fundo no acelerador, o carro cantou pneu! Eles olharam para trás assustados. Vi os rostos apavorados. Passei do lado deles, quase deu para sentir a respiração, quase atropelei a sua barriga. Disparei três vezes! BANG! BANG! BANG! O gordo estava no chão. Os tiros pegaram no peito e na barriga, agonizava no chão. Lorena também caiu, me virei para ver se ela estava bem e ela viu meu rosto. Pensei em descer, mas os seguranças do cassino estava com suas armas em punhos já e corriam em direção ao meu carro. Acelerei de verdade agora, fiz a curva a quase 100 km/h, depois segui reto e entrei duas ruas atrás da minha. Não ouvia sirenes ainda, mas foi só eu descer do carro que elas começaram a soar. Larguei o carro na entrada do beco e entrei nele, fiz todo o trajeto que eu fazia nas madrugadas em que voltava bêbado do Free Bar, ou então do Royal Pub, só que dessa vez com o coração quase saltando pela boca, e claro, uma arma na mão. Eu sabia que não me encontrariam por aquele caminho. Então depois que sai do beco ajeitei meu cabelo, respirei fundo, guardei a arma, ainda haviam pessoas na rua. Acendi um cigarro e fui caminhando lentamente, me misturei ao resto das pessoas. Eu acabara de matar um cara e daqui a poucos instantes ganharia 10 mil pratas! Isso sim que era vida, dinheiro fácil. Na realidade não era tão fácil assim, era rápido. Rápido e desonesto, não sei porque mas isso sempre me atraiu. Passou uma viatura por mim, depois outra. Sequer me notaram na calçada. Cheguei em casa. Não havia nada para beber. Tomei um banho, troquei de roupa. Coloquei um chapéu velho, um cigarro na boca e fui até o Free Bar comemorar.
A noite estava incrivelmente boa. O barulho das sirenes me dava arrepios, que saco. Isso poderia estragar a graça toda. Mas eu estava vivo. Estava ligado. Só precisava de um trago. Caminhei até o Free Bar, estava quase lotado como era de se esperar para uma madrugada dessas. Eu sabia que ia ficar lá até o sol raiar, ou até alguma briga me forçar a ir mais cedo para casa.
O garçom me atende no balcão. Olho para a prateleira de bebidas, escolho a garrafa escondida da esquerda. A noite apenas iria começar...
- Uísque, com certeza!
6. Maldito uísque com gelo!!!




A noite passou rápida, tranqüila. Quase amanhecendo fui pra casa, estava um pouco tenso ainda. Terminei minha bebida e pulei num táxi. Me deixou em casa.
A porta aberta... algo estranho. Sabe aquele calafrio? Tinha um pressentimento ruim. Mas que se foda, ainda estava com a arma comigo. Entrei e vi uma bagunça pior do que a que eu tinha deixado. O cara que fez isso realmente sabe bagunçar as coisas. Minha garrafa especial de vodca no chão, quebrada. Ah, ele me paga. Saquei a arma, não estava mais brincando. Colchão, cadeira, televisão, garrafas, cinzeiros, revistas pornográficas, jornais, lixo, tudo junto. Na cozinha um barulho. Ele estava lá. Ai ele dá um pulo sobre a mesa e vem correndo com uma faca na minha direção, eu atiro duas vezes e vejo o sangue jorrar na parede. Desgraçado. Tem miolo espalhado por tudo. Sorte que eu vi o rosto dele antes de explodir com duas balas... era Edie. Maldito seja! Não dei mais nem um minuto li dentro. Peguei o que restava do dinheiro, troquei de casaco e sai depressa. Era cedo, muito cedo, estava bêbado e havia matado dois caras. Precisava pegar minha grana com o chefão de merda nenhuma. Era só segurar até de noite. Mas sabe-se lá quem mais quer me matar. Eu me viro.
Desci e peguei um táxi até o motel mais próximo, era o Barca do Diabo. Nome sugestivo... Pedi um quarto até as 23 h. O cara me disse que não podia ir sozinho, precisava levar uma das suas garotas. Mais essa... ok, levei a mais cara. 300 reais o quarto mais a garota. Tudo bem, assim eu ficava mais aliviado. Entramos no quarto, ela era uma beleza. O quarto nem tanto.
- Escuta, o negócio é o seguinte. Eu tive uma noite e tanto, ainda to meio bêbado. Vou tomar um banho e dormir, se tu quiser fica por ai liga a tv, sei lá.. vou te pagar do mesmo jeito. Se quando eu acordar tu estiver por ai ainda, eu deixo tu brincar comigo.
- Quem mando é o senhor! Quer ajuda ai?
Ah! Eu estava no paraíso! Sim, o dinheiro traz felicidade seu babaca!
Apaguei na cama, a vagabunda logo saiu do quarto. Acordei faltando 30 minutos para as 23 h. Estava novo em folha. Só uma fome do cão. Liguei para o serviço de quarto do motel. Pedi um pastel e duas cervejas. Maravilha. Antes de sair tomei mais uma.
Um táxi me deixou na porta do Free Bar, o movimento já era notável no bar.
Sentei no balcão e o garçom logo veio em mim:

- Mais cedo teve um cara aqui... deixou esse bilhete e pagou um uísque com gelo para o senhor, esta aqui...
- Com gelo? Eu mato esse cara...
O bilhete só dizia:
“Te espero no beco,
Trabalho feito, dinheiro na mão”
Era assim que eu gostava. Tomei o uísque, acendi um cigarro e caminhei até o beco. De longe eu avistei a sombra do cara. O poderoso chefão.

- E então? Tudo certo? Já dei um jeito no teu gordinho... gostou?
- Sim, sim! Bom não tenho muito tempo – estava meio inquieto – aqui esta sua grana...
- Deixa eu contar...
- Bom, na verdade não tem os 10 mil inteiros ai... f...
- O QUE TU QUER DIZER COM ISSO?
- Eu tinha garantido 5 mil antes não era? E bom, ai tem 5 mil, os outros eu vou lhe dar...
BANG! BANG!
Dois tiros a queima roupa no velhote. Revistei ele, tinha 10 mil certinho dentro do bolso do casaco. Peguei a grana, guardei a arma na cintura e pensei alto... talvez alto demais...

- Três homens morto, e 10 mil pratas!!
Um barulho atrás de mim. A sorte me sacaneou outra vez...
- Que tal... quatro homens mortos e 10 mil na minha mão?
- Lorena? – tremi quando vi aquela mulher de novo – Mas o q...
- Tava pensando que iria causar todo esse tumulto na cidade, pegar a grana e sair livre por ai?
- Bom esse era plano... mas escute, podemos ir juntos!

Só agora percebi que ela estava com uma arma erguida contra meu rosto... malditas pernas tem essa mulher! Tentei sacar a minha...

- Nem tenta! Escuta... metade da grana seria minha, eu que havia indicado ao defunto ai no chão você. Sabia que não iria negar, nem perguntar o porque! Eu receberia uma parte e depois o resto. Você apagou o cara, muito bem... mas agora eu apago você e levo toda a grana.
- Você? Porra, não da pra acreditar! Olha, assim não vai dar! Sem essa de me matar e pegar a grana! É só você dormir com algum milionário e consegue isso... deixa eu tirar a sorte grande dessa vez!

Descobri como dói um chute nas bolas com um sapato de bico fino.

- Cala a boca! Quem diz como vai ser aqui sou eu! Sorte grande tu vai ter se eu decidir te dar um tiro só na cabeça... ainda estou pensando...
- Vai pro inferno!
- Você primeiro... – apertou o gatilho.
BANG!
Um tiro seco, a queima roupa. Acertou em cheio, boa pontaria gostosa! Entrou bem no meio da minha testa e dilacerou a minha nuca! Finalmente morri, mas morri com mais de 10 mil pratas no bolso... há de concordar que não é para qualquer um não é mesmo? Mas a safada pegou a grana e saiu rindo. Subiu num carro e provavelmente saiu a mais de 100. Não fez o trabalho sujo e ficou com toda a grana. É assim que se faz, eu devia saber... Caralho, um gosto ruim na garganta... MALDITO UÍSQUE COM GELO!!!

FIM. (Pois então... nem foi tão profundo não é?)