quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Jazz of the Beat Generation for Download

         New York Cirty, década de 40. Dentro dos clubes enfumaçados e escuros, pequenos grupos tocavam um Jazz de compasso diferente, a intenção da música não era a dança, e sim a apreciação. O ritmo era frenético, comparado talvez apenas com a velocidade com que cigarros eram acesos e apagados. Era uma poesia, um estilo de vida que estava nascendo nas frias ruas novaiorquinas. Àquilo chamaram Bebop, fazendo alusão ao som dos martelos batendo em ferro bruto, como nas construções da então vertical New York City.
        Tocando em pequenos grupos, não mais em Big Band's ou Traditional Jazz Band's, estava Charlie Parker e Dizzy Gillespie, nesses abafados clubes que surgiam aos montes pelas ruas de New York. É nessa cena em que surge um grupo de escritores bastante restrito, eles vinham de outras terras americanas, como Denver, e vagabundeavam por aquelas ruas sujas, procurando algum lugar para uma diversão barata, uma conversa, escrever algo. Acabavam caindo na 52nd Street, em Manhattan - coração da globalização, do capital, dos sonhos da américa - e entrando nestes lugares sujos. Eles eram os Beats, os escritores da Geração Perdida, a Lost Generation, os caras sujos e sem dinheiro que passam pela sua janela carregando os problemas do mundo na mochila.
         Os Beats passaram a admirar não só a música Bebop, mas o way of life dos seus executadores, passando até a utilizar o mesmo tipo de drogas que eles - no caso as mais populares benzedrina e heroína - além da maconha já utilizada por influência da vivência nas ruas. Encorporam então o estilo único e rebelde daquela música em sua escrita, usando o improviso e a velocidade de imagens, a rápida absorção de pensamento - tudo isso herdado deste ritmo que nascia em New York.

          Para ilustrar estas palavras e aguçar os ouvidos, disponibilizo o link para download do album: Jazz of the Bat Generation, que se trata de uma coletanea dos principais nomes da época - incluindo os fundadores - e algumas passagens em que Kerouac fala sobre o nascimento do Bepo e a ligação com o Beat.


Jazz of the Beat Generation - Download Link
Capa:












Track List


1 - Beat Generation - Jack Kerouac
2 - Gasser - Roy Eldridge
3 - Real Crazy Cool - Big Jay McNeely
4 - Hey! Ba-Ba-Re-Bop - Lionel Hampton
5 - In a Little Spanish Town - Lester Young
6 - Fantasy: The Early History of Bop [Section 1] - Jack Kerouac
7 - Salt Peanuts - Dizzy Gillespie
8 - Scrapple from the Apple - Charlie Parker
9 - Fantasy: The Early History of Bop [Section 2] - Jack Kerouac
10 - Half Nelson - Miles Davis
11 - Sorry, Wrong Rhumba - George Shearing
12 - Fantasy: The Early History of Bop [Section 3] - Jack Kerouac
13 - Slim's Jam - Slim Gaillard
14 - Fantasy: The Early History of Bop [Section 4] - Jack Kerouac
15 - I Only Have Eyes for You - Billy Eckstine
16 - Hunt - Dexter Gordon, Wardell Gray
17 - Fantasy: The Early History of Bop [Section 5] - Jack Kerouac
18 - Hackensack - Thelonious Monk
19 - Subconscious-Lee - Lennie Tristano
20 - Stella by Starlight - Stan Getz
21 -  Line for Lyons - Gerry Mulligan Quarte
22 - Nutty - Thelonious Monk

link para download:

http://rapidshare.com/#!download|340l35|109163421|Jazz_of_The_Beat_Generation.rar|63097



Links complementares:

Blog Jazz e Rock para quem gostou do som:
http://www.jazzerock.com/2008/04/jazz-of-beat-generation.html

Site americano Literary Kicks muito bom para quem souber ler em inglês e quiser ler boas matérias, aqui o link direto para uma matéria sobre o Bebop e o Beat:
http://www.jazzerock.com/2008/04/jazz-of-beat-generation.html

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Let it Beatnik

        Let it be - Deixe ser, estar - os Beatles falavam na década de 60 e era o que suas músicas passavam e refletiam a mentalidade da época. Mas de TODA aquela geração? Era isso que todos jovens pensavam na década de 60? Apenas aquela onda "paz e amor" - que nunca existiu? Certamente não. Mas era o que a grande maioria pensava, ou achava que estava pensando. Certamente era o que vendia, disto não há controversias. Deixe estar então, as coisas devem ser livres, faça o que quiseres, coisas boas florescerão, o amor deve ser livre, não se preocupe tanto - fume um baseado. Pois é esta a essência de algo que se difundiu muito nos anos 60 graças a uma onda muito forte de contracultura no passado, uma onda revoltada, uma onda agressiva - sim, bastante diferente dessa fórmula "paz e amor". Era o movimento Beat, mas isto já será retomado. Acontece que na mesma época uma banda formada por garotos nem tão "paz e amor" assim, resolveu brincar com a expressão. Foi lançado o disco Let it Bleed - Deixe sangrar - pelos Rolling Stones. Com um tom sarcástico, a expressão, e o disco em si, retratava uma geração perdida, falava daqueles que se deram mal, entraram em brigas, bad trip's, perderam a familia. Afinal, para os próprios Beatles, nem tudo era flores. Mas sem perceber, as duas bandas criaram a perfeita analogia dos anos 60 - nem tudo era paz e amor, havia sim maldade, sangue, naquela geração.
      E era sobre isso que aquele antigo e esquecido movimento falava, os Beats sempre disseram que nem tudo era flor, que na verdade, quase nada era flor. Sempre foi difícil a vida, por mais que se consiga sorrir, é sempre com algum esforço, com algum sacrifício. Razão esta porque talvez muito dos beatniks - principalmente Jack Kerouac que, reza a lenda, no fim da vida praguejava sempre que via um cabeludo Hippie com sua mochila nas costas - detestarem os Hippies e o próprio movimento Hippie, que foi na verdade uma vertente do Beat e que acabou acabando com ele mesmo. 
      Mas agora, anos depois destas gerações, eis que me deparo com uma outra analogia - uma sequencia talvez daquela "brincadeira" das duas bandas nos anos 60 - de sentido parecido, e é na internet. Falo do blog, Let it Beatnik que encontrei não faz muito mas já me vislumbrei com a quantidade de textos interessantes e a qualidade das informações, artigos e textos sobre os beats, mais especificamente Jack Kerouac. É uma ótima fonte de pesquisa para quem curte o assunto e até mesmo para quem é leigo e está interessado em saber mais. Tem dicas de livros, comentários sobre outros autores, e é escrito da maneira mais beat possível. Por isso, faço a propagando aqui deste blog que brinca, de certa forma, com aquele pessoal dos anos 60. Let it beatnik, coloque sua mochila nas costas e vá ver o mundo! 

>
Link:  http://jackerouac.wordpress.com/

> O blog é mantido e todos os textos são escritos por João Paulo de Oliveira, aqui um trecho que exemplifica muito bem o conteúdo do site. Além de ser muito bem escrito: 

Kerouac Vs O Beat

Eu não sou Jack Kerouac
Eu não sou william Borroughs
eu não sou Allen Ginsberg

Eu sou o espírito do beat
sou o pó que se acumula
o indisível que fala
Que corta, corteja, revela

sou o filho da puta que não nasceu
a viagem que ainda não foi feita
a fome que ainda virá

Eu sou nós
Sou aqueles que não têm nome
Que correm como notas em uma caixa registradora
que se escondem pelos muros cinzas da cidade

Sou o rio que passa e leva uma geração
Sou a jangada que leva o buda
a lança que jorra o grito da rendenção
o arco inalcansável
O caminho inatingível

….qqq….

Eu já não sei se falo de amor ou de medo, só sei que “falo”.
Meus pés estão longes/próximos desse chão/céu,
mas basta ser covarde/hipócrita/sensato/sincero para que tudo
possa dar certo/errado/imprevisível!!!

Beat é anagrama de BETA! 

por João Paulo de Oliveira em  http://jackerouac.wordpress.com/2010/11/21/kerouac-vs-o-beat/

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Jack Kerouac, o cara que popularizou toda essa onda...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Downtown... a cidade decaída... e eu que só queria um endereço

          Eu escrevi uma carta para um romance antigo, defasado, triste, abafado. A carta retornou para minhas mãos com um selo de devolução. Ela mudou o endereço e não me avisou, ou a cidade cresceu e a rua dela mudou de nome. Nas ruas de Porto Alegre a evolução tem sido assim, hoje eu caminhei desordenado pelas calçadas tristes, pelas alamedas cruéis e me senti um humano sem coração. As crianças me pedem esmolas, os cegos vendem bilhetes da loteria - um deles estará premiado, a sorte espera por você - um fiél enlouquecido tenta lhe convencer. Essa é a rotina dessa cidade, os mendigos não pedem passagem, eles se instalam nas calçadas, as lojas se adaptam, as arvores se adaptam. Não há quem resista ao cheiro dos churrasquinhos feito com podridão, não há quem não acenda um cigarro pra disfarçar a solidão. Lá vai outro jovem vender a alma para um traficante, são doenças antigas, as doenças dessa vida. Todos morrem um pouco a cada dia, e porque as crianças orfãs de rua despejam seus olhares dolorosos dentro de nós? Por acaso somos melhores do que eles? Não sentimos dor ou abandono a cada meia noite rompida? Eu estava com a carta na mão, procurando me encontrar, e ao meu redor um circo de insanidades pegava fogo. A realidade poderia assustar até um cego, porque o cego também vê, é você que não vê. Preocupado com os signos da cidade, com os códigos da evolução, com a realidade, enquanto a peculiaridade se perde através dos botões, através dos pregos, das maçanetas. Enquanto o infinito atravessa na sua frente, você se preocupa com o sinal de trânsito, com a linguagem dos carros e você morre, porque morto estará aquele que não sabe viver. Toda vez que você sentir a dor você vai chorar, e achando que isso vai ajudar vai tomar uma garrafa de vodca. Vodca não salva ninguém, eu bem que sei. E aquela maldita lembrança na minha cabeça. Eu não sabia porque a carta tinha voltado, eu agora só caminhava pelo centro, downtonw, cidade decaída. Ando entre anjos e demônios, os demônios me atacam, os anjos apenas correm de mim. Você vê nos olhos dos policiais o medo pelo caos, de um maníaco com uma bomba estourando as paredes de concreto que ele tanto cuida. As cabeças não-pensantes das pessoas que ele tanto respeita. Todas mortas antes mesmo de acionar o botão da bomba. Mas eu estava apenas atrás de um endereço. Você encontra indíos longe de suas casas, vendendo bugigangas, intrumentos de percussão, para alimentar seus filhos barrigudos, doentes, insensíveis e de olhares frios. O endereço pode ser atrás de um deles. A boca do universo começa no bueiro e termina na sala de espera de um grande consultório burguês. A cidade tem um mesmo tom, o tom do engano, do cinza desbotado. Vocês se perdem toda vez que encontram o endereço certo, eu me perdi muito tempo antes, apenas estou tentando me encontrar. Downtown, cidade decaída. Downtown, cidade das ilusões. O centro urbano, histórico, habitado por mendigos, indíos, feirantes, ambulantes, vendedores de pirataria, apenas humilhação para a espécie, uma espécie já apodrecida. Eu estava no centro, downtown, cidade decaída, procurando um endereço para enviar a carta. Um amor perdido, esquecido. Uma faca no meu peito. Apenas outra desilusão. Na carta eu escrevia palavras de ódio, eu fingia estar bem. Eu mentia alegria, eu sonhava com facas. Agora estou no centro, estou tentando pular de cima de um prédio. Downtown....

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Manto Negro

O manto negro desce a rua
Eu queria que você também o visse
Apareça na janela
O sol ainda não nasceu
E o manto negro está passando
Por de baixo das marquises

Atrase o tempo do relógio
O sol aquecerá um pouco menos
E o homem que vem deslizando na calçada
Vare a rua com seu manto negro
Flutuando em sua cabeça,
Atrás da capa, um chapéu preto

Querida, desligue o ventilador
Estamos dando voltas no seu teto
Porque o manto negro está passando
E devemos ter cuidado
As estrelas estão caindo
E a cidade agora está no universo

Cuidado com as ruas infinitas
Há abismos nas esquinas
Entre em nossa casa interstelar
E devagar nós vamos viajar
Atravessar a quadra,
Pular dentro do mar

O manto negro deslizando no asfalto
Um pedaço do sol iluminando o espaço
O homem misterioso circulando fora de órbita
Como um grande cometa flamejante
Desabrochando pelas nossas ruas
E os amantes dormem abraçados

Deite no parapeito do universo para ver,
As estrelas brilhando fora da sua janela
O manto negro já vai partir, então atrase,
Seu relógio para a hora do anoitecer
Aproveite o universo fervilhando lá fora
O cara estranho está voltado para casa

Venha para a sombra distorcida então
Temos o tempo atrasado do relógio para nascer
Olhar o sol que vem brilhando
Nossas mãos estão tão juntas,
E o manto negro já partiu,
Levando parte da nossa rua