quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Let it Beatnik

        Let it be - Deixe ser, estar - os Beatles falavam na década de 60 e era o que suas músicas passavam e refletiam a mentalidade da época. Mas de TODA aquela geração? Era isso que todos jovens pensavam na década de 60? Apenas aquela onda "paz e amor" - que nunca existiu? Certamente não. Mas era o que a grande maioria pensava, ou achava que estava pensando. Certamente era o que vendia, disto não há controversias. Deixe estar então, as coisas devem ser livres, faça o que quiseres, coisas boas florescerão, o amor deve ser livre, não se preocupe tanto - fume um baseado. Pois é esta a essência de algo que se difundiu muito nos anos 60 graças a uma onda muito forte de contracultura no passado, uma onda revoltada, uma onda agressiva - sim, bastante diferente dessa fórmula "paz e amor". Era o movimento Beat, mas isto já será retomado. Acontece que na mesma época uma banda formada por garotos nem tão "paz e amor" assim, resolveu brincar com a expressão. Foi lançado o disco Let it Bleed - Deixe sangrar - pelos Rolling Stones. Com um tom sarcástico, a expressão, e o disco em si, retratava uma geração perdida, falava daqueles que se deram mal, entraram em brigas, bad trip's, perderam a familia. Afinal, para os próprios Beatles, nem tudo era flores. Mas sem perceber, as duas bandas criaram a perfeita analogia dos anos 60 - nem tudo era paz e amor, havia sim maldade, sangue, naquela geração.
      E era sobre isso que aquele antigo e esquecido movimento falava, os Beats sempre disseram que nem tudo era flor, que na verdade, quase nada era flor. Sempre foi difícil a vida, por mais que se consiga sorrir, é sempre com algum esforço, com algum sacrifício. Razão esta porque talvez muito dos beatniks - principalmente Jack Kerouac que, reza a lenda, no fim da vida praguejava sempre que via um cabeludo Hippie com sua mochila nas costas - detestarem os Hippies e o próprio movimento Hippie, que foi na verdade uma vertente do Beat e que acabou acabando com ele mesmo. 
      Mas agora, anos depois destas gerações, eis que me deparo com uma outra analogia - uma sequencia talvez daquela "brincadeira" das duas bandas nos anos 60 - de sentido parecido, e é na internet. Falo do blog, Let it Beatnik que encontrei não faz muito mas já me vislumbrei com a quantidade de textos interessantes e a qualidade das informações, artigos e textos sobre os beats, mais especificamente Jack Kerouac. É uma ótima fonte de pesquisa para quem curte o assunto e até mesmo para quem é leigo e está interessado em saber mais. Tem dicas de livros, comentários sobre outros autores, e é escrito da maneira mais beat possível. Por isso, faço a propagando aqui deste blog que brinca, de certa forma, com aquele pessoal dos anos 60. Let it beatnik, coloque sua mochila nas costas e vá ver o mundo! 

>
Link:  http://jackerouac.wordpress.com/

> O blog é mantido e todos os textos são escritos por João Paulo de Oliveira, aqui um trecho que exemplifica muito bem o conteúdo do site. Além de ser muito bem escrito: 

Kerouac Vs O Beat

Eu não sou Jack Kerouac
Eu não sou william Borroughs
eu não sou Allen Ginsberg

Eu sou o espírito do beat
sou o pó que se acumula
o indisível que fala
Que corta, corteja, revela

sou o filho da puta que não nasceu
a viagem que ainda não foi feita
a fome que ainda virá

Eu sou nós
Sou aqueles que não têm nome
Que correm como notas em uma caixa registradora
que se escondem pelos muros cinzas da cidade

Sou o rio que passa e leva uma geração
Sou a jangada que leva o buda
a lança que jorra o grito da rendenção
o arco inalcansável
O caminho inatingível

….qqq….

Eu já não sei se falo de amor ou de medo, só sei que “falo”.
Meus pés estão longes/próximos desse chão/céu,
mas basta ser covarde/hipócrita/sensato/sincero para que tudo
possa dar certo/errado/imprevisível!!!

Beat é anagrama de BETA! 

por João Paulo de Oliveira em  http://jackerouac.wordpress.com/2010/11/21/kerouac-vs-o-beat/

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Jack Kerouac, o cara que popularizou toda essa onda...

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